3 Lições de Alberto Caeiro –

Alberto Caeiro, um dos heterónimos de Fernando Pessoa, deixou uma grande marca na Literatura portuguesa e carateriza-se pelas suas ideias que desvalorizam a metafísica e se focam na realidade imediata que pode ser apreendida pelos sentidos. O seu único desejo é interagir e estar em comunhão com a Natureza ao seu redor. Muitos dos seus textos trazem-nos lições importantes que podemos aplicar à nossa vida.

Seguem-se 3 das suas muitas lições:

A existência não deve ser compreendida, mas apreciada

Caeiro diz-nos “O mundo não se fez para pensarmos nele/ Mas para olharmos e estarmos de acordo”.

Transmite-nos assim, a sua ideia de que quanto mais pensamos, menos apreciamos. E quanto mais procuramos o sentido das coisas, menos desfrutamos da experiência que estas nos proporcionam. Pensar no porquê de um pôr-do-sol é perder a oportunidade de estar na presença deste acontecimento e contemplar esta dádiva.

Buscar compreender intelectualmente a realidade subjetiva do mundo, distancia-nos da sua verdadeira apreciação e da nossa experiência interna de conexão com a realidade.

“E se Deus me perguntar: e o que viste tu nas cousas?/ Respondo: apenas as cousas… Tu não puseste lá mais nada…”

A Imperfeição traz beleza ao mundo

  Projeções -

“Mas Graças a Deus que há imperfeição no Mundo/ Porque a imperfeição é uma cousa,/ E haver gente que erra é original,/ E haver gente doente torna o/ Mundo engraçado./ Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,/ E deve haver muita cousa/ Para termos muito que ver e ouvir…”

A imperfeição torna o mundo variado, imprevisível e dá-lhe a possibilidade de evolução. Reconhecer a beleza da imperfeição no mundo é entender que esta representa uma oportunidade de apreciação. A variedade resultante de todo o tipo de imperfeições torna a existência entusiasmante e confere-lhe por si só um sentido. Tudo o que é imperfeito procura mover-se no sentido da perfeição. Desta forma, a imperfeição atribui também movimento à experiência da vida.

A imperfeição dá sentido e gera movimento na direção da realização desse mesmo sentido.

É importante viver no presente

“A recordação é uma traição à Natureza/ Porque a Natureza de ontem não é Natureza/ O que foi não é nada, e lembrar é não ver”

Estar presente exige tudo de nós… é talvez a coisa mais difícil que o ser humano pode conseguir fazer. O momento presente é tudo o que existe. O passado existe na nossa mente enquanto memória, e o futuro é senão uma fantasia improvável. Caeiro procura aludir o seu leitor ao facto de que sempre que pensamos, imaginando o futuro ou recordando o passado, estamos a trair a beleza do agora e a perder completamente a oportunidade de desfrutar de um momento efémero que não volta mais.

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“Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos./ Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer./ Se há alguém para lá da curva da estrada,/ Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada.

Conclusioni

Resumindo, as lições de Alberto Caeiro dizem-nos que a natureza deve ser apreciada para que a sua verdadeira compreensão além-intelectual seja possível. A própria imperfeição do mundo deve ser apreciada pois é necessária e confere beleza ao mesmo. Esta dá sentido e movimento à existência. É também crucial viver no momento presente para que esse movimento e essa sensação de sentido possam ser experienciados.